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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Adão Criado, Homem Caído

Um amigo meu, Isaque Sicsú, escreveu um poema baseado nas histórias da Criação do Homem, sua queda e atual estado de pecado. Vale a pena ler pela criatividade artística e verdade escriturística.

Adão Criado, Homem Caído
(Gen. 1.1-3.24; Rom. 1.18-3.20)

Não conheces, tua origem?
Já ouviste de Adão?
Ou será que te perdeu,
E negaste a criação?

Pois, vem e te aproxima.
Quero contar-te, de antemão.
Tu és a obra prima.
És o ápice da criação.

Em ti está encravada,
A imagem do Senhor.
Em ti estão as marcas,
Do soberano criador.

Foste criado ao sexto dia,
Pelas mãos do que não dorme.
Eras pó, sim, tu eras barro.
Eras massa, eras disforme.

Dentro em ti, ó barro inerte,
Foi soprada vida ardente.
Desde então tu és pessoa,
Te tornaste ser vivente.

Tu carregas alma eterna.
Como a mão que o modelou
Dualidade integrada,
Corpo e espírito, Ele juntou.

Foste posto em alto ofício:
Dominar a criação,
Refletir o Pai eterno,
Governar em retidão.

Plenas bênçãos, tu gozavas.
Teu sobrenome, perfeição.
Em teu estado original,
Abundância e comunhão.

(***)

Expulso foste, homem caído,
Do teu reino, do jardim.
Deste ouvidos à serpente,
Separação foi o teu fim.

Tu quiseste autonomia,
Igual a Deus, quiseras ser
Conhecer o bem e o mal
Proibido fruto quis comer.

Tua natureza agora é outra
Escura, fria e mordaz.
O teu filho é assassino.
Teu descendente é sagaz.

Poucas marcas agora sobram
Do sublime criador
Não refletes como antes
A bela imagem do Senhor.

Tua culpa foi imputada
Aos descendentes, escuridão.
Tua natureza, contaminada
Pelo rastro de perdição.

A morte agora é companhia,
Salário é do teu pecado
Tu que antes era livre,
Pelo pecado está algemado.

A natureza geme e clama,
Pela divina redenção.
Pelo fim do sofrimento,
Pela sua restauração.

Outro nome recebestes,
Tu te chamas podridão.
O que antes era vida,
Agora, putrefação.

Não há mais sequer um justo
Não há mais quem dê ouvido
O pecado é nossa herança,
De Adão criado, homem caído.

Por Isaque Sicsú

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mas o que significa "Jesus entrou no meu coração"?

Jesus entrou no meu coração” e “Jesus limpou meu coração” são idéias comuns em canções infantis evangélicas de hoje. Os adultos ensinam e as crianças cantam. Mas poucos entendem o que está por trás de frases assim. Num mundo que se distancia cada vez mais de tudo o que a Palavra de Deus ensina, o Evangelho tem se resumido a um conjunto de sentimentos momentâneos de uma rasa religiosidade Ocidenal. Falta estudo da Bíblia e falta a compreensão do que é o coração humano. O resultado é gente convidando Jesus para entrar em um “lugar” desconhecido e limpando uma suposta parte do corpo que não tem significado algum.

O coração é o centro de controle do Homem, de onde “depende toda a sua vida” (Pv 4.23). É lá que residem os pensamentos, intenções, crenças, desejos e atitudes. Esse centro do controle do homem também é chamado de mente, alma e espírito no Novo Testamento. De uma certa forma, são todos termos sinônimos, ou melhor, intercambiáveis. Ou seja, o coração faz referência ao homem interior como um todo. Tudo o que não pertence à composição física do homem faz parte do centro de controle, que é o homem interior (Mt 13.15).

Uma análise de diversas passagens bíblicas aponta o coração como centro de controle em três áreas principais: intelecto, afeição e vontade. Primariamente, o coração refere-se ao intelecto, que inclui pensamentos, crenças, lembranças, juízos, consciência e discernimento  (1 Rs 3.12; Mt 13.15; Mc 2.6; Lc 24.38; Rm 1.21; 1 Tm 1.5). Outra parte do centro de controle do homem é composta pelas afeições, que incluem os sentimentos e emoções  (Dt 28.47; 1 Sm 1.8; Sl 20.4; 73.7; Ec 7.9; 11.9; Is 35.4; Tg 3.14;). E, a terceira área do coração é a vontade. A vontade é o aspecto da parte da pessoa interior que escolhe ou determina ações (Dt 23.15-16; 30.19; Js 24.15; Sl 25.12).

Porém, essas três “frentes” do coração não devem ser encaradas como entidades distintas e isoladas. O homem interior não deve ser visto exclusivamente debaixo de suas divisões funcionais, mas na sua unidade de essência. Intelecto, afeição e vontade trabalham em cooperação mútua e não existem isoladamente. O coração é como um diamante com facetas distintas, chamadas de intelecto, afeição e vontade. Porém, todas fazem parte da mesma preciosidade: o coração. Portanto, a dinâmica do centro de controle humano envolve o pensamento como orientador do juízo de valores, que alimenta o desejo. Por sua vez, o desejo é resultado do direcionamento da vontade. E a rede de valores e desejos alimentam as afeições, que influenciam nas decisões. Essa é uma dinâmica tão difícil de descrever quanto de separar suas partes.

Seja como for, tudo o que é estudado com relação às diversas áreas da vida deve ser aplicado ao nível do coração, pois ele representa quem o homem verdadeiramente é (Pv 27.19). Meras mudanças comportamentais não irão promover transformação genuína na vida de ninguém. A transformação que agrada a Deus deve acontecer no nível do coração, é lá que está o real problema e o centro de controle de todo o homem. Somente um coração transformado pela graça de Cristo pode cumprir o propósito original da criação.

A implicação da definição bíblica do coração é que todo e qualquer problema do Homem está relacionado ao coração. Todos os dias, o Homem deve escolher a quem irá amar mais: Deus ou a si mesmo. Somente o Espírito Santo através da Palavra de Deus pode revelar a verdade por trás de decisões tomadas no coração humano (Hb 4.12). Então, “Jesus entrou no seu coração”? “Jesus limpa seu coração”? Em outras palavras, quem está no comando? O Senhor Jesus é Senhor sobre seus pensamentos, seus desejos e suas afeições? Santificação progressiva é uma realidade no nível de seu intelecto, vontade e emoção ou apenas uma doutrina na Teologia Sistemática da sua estante?

Por Alexandre Mendes
(artigo originalmente postado no blog da Editora “Tempo de Colheita” com o título de “Centro de Controle”)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

3 cuidados que a Igreja deve ter com a futura presidenta

No último dia 31 de outubro de 2010, o Brasil finalizou o processo eleitoral para apontar o próximo presidente do Brasil. Para a tristeza de alguns e para a alegria da maioria, a candidata Dilma Rousseff ganhou a disputa nas urnas para se tornar a primeira presidenta de nossa história, pondo fim em uma eleição que foi marcada, entre outras coisas, pelo debate ético e religioso. Para muitos cristãos, as propostas da então candidata Dilma Rousseff são uma ameaça ao avanço do cristianismo no Brasil. Sua história pessoal, seu perfil ideológico e algumas de suas declarações do passado assombraram (e ainda assombram) cristãos por todo o território nacional. No entanto, a Bíblia traz princípios claros que ironicamente são esquecidos pelo “povo do Livro”. O intuito desse pequeno artigo é nos lembrar de três cuidados que a Igreja brasileira deve ter quando o assunto for a candidata eleita, Dilma Rousseff.

1) Não esqueça de quem está no controle. Muitos cristãos estão desesperados diante da vitória da candidata Dilma. Grande parte disso está em não enxergar o processo eleitoral “democrático” dentro do plano soberano de Deus. Em outras palavras, a candidata eleita teve mais votos, mas “...o Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer” (Daniel 4.25). Nenhum artifício humano irá neutralizar a soberania divina em colocar e tirar governantes do poder. Veja bem, isso não é fatalismo, mas é crer na soberania de Deus que sustenta nosso Universo com sabedoria e amor. Se assim Deus permitir, Dilma Rousseff irá assumir a presidência no primeiro dia do próximo ano. E se isso acontecer, será porque Deus quis. Então, não fique achando que o futuro do nosso país está comprometido ou garantido por causa do resultado das eleições. Apenas descanse. Deus esteve no controle no dia 31 de outubro de 2010 e estará no controle no dia 1 de janeiro de 2011. Tudo irá acontecer debaixo da soberania de Deus para a honra e glória de Seu nome (Romanos 11.36).


2) Santifique a Cristo em seu coração e não se deixe dominar por sua indignação.* Se seu candidato não foi eleito, você pode sofrer a tentação de ser dominado por sua indignação. Alguns têm deixado isso acontecer porque minimizaram o ponto #1. Independente do que aconteça ou que lei seja aprovada, o dever do cristão é santificar a Cristo em seu coração no meio de qualquer circunstância, e isso não exclui a política (1 Pedro 3.13-18). Para entender isso melhor, o apóstolo Pedro nos lembra do exemplo de Cristo, “que sofreu pelos pecados... o justo pelos injustos.” Cristo tinha todo o direito e poder para depor as autoridades de seu tempo, mas foi submisso (antes de tudo ao Pai) ao ponto de morte, e morte de cruz. E isso Ele fez para nos conduzir a Deus. Portanto, não deixe com que sua indignação domine seu coração. O debate político não deve ser inflamado a tal ponto de ofuscar seu testemunho por Cristo. Deixe que o mundo veja em você, cristão, uma atitude diferente, refletindo que Deus existe, é Santo e perdoador de pecados (Mateus 5.13-16). Na Palavra de Deus, somos instruídos a respeitar nossas autoridades porque elas foram instituídas por Deus (Romanos 13.1-7). Portanto, qualquer tipo de rebeldia contra uma autoridade é uma rebeldia direta contra Deus.


3) Ore por nossa futura presidenta. São tantas especulações éticas e barulho nos meios de comunicação disponíveis, que nos esquecemos do que é óbvio e explícito na Palavra de Deus. “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.” (1 Timóteo 2.1-2) Então, por que não investir tempo e joelho orando como obediência à Palavra de Deus? Não deixe com que sua opinião e preferência políticas sejam obstáculos para cumprir a vontade de Deus revelada em Sua Palavra. Está na hora de orar por nossas autoridades. Ou melhor, sempre é hora de orar por nossas autoridades.

E enquanto somos lembrados desses três cuidados para com nossa futura presidenta, não percamos a esperança. Nosso Rei é de outro mundo. “Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” (Filipenses 2.9-11)

“A nível de”

*O ponto #2 foi modificado de sua publicação original como fruto da interação com um dos leitores do blog, Tiago Abdalla. Obrigado amigo e irmão Tiago Abdalla por sua disposição em ser ferro que afia ferro na minha vida e mostrar que submissão não é sinônimo de silêncio total. A crítica política existe, mas não desconsidera a soberania de Deus.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O prêmio maior

No Novo Testamento, o evangelho é chamado de “o evangelho de Deus” inúmeras vezes (Romanos 1.1; 15.16; 2 Coríntios 11.7; 1 Tessalonicenses 2.2, 8, 9; 1 Pedro 4.17). Tal expressão deve ser entendida no nível mais profundo possível. O evangelho é chamado de “evangelho de Deus” não porque simplesmente vem de Deus, ou porque é meramente feito por Deus, mas também porque me leva a Deus, que é o Prêmio maior. De fato, Deus é quem faz o evangelho ser a boa nova que é, que me traz para Si mesmo (Efésios 1) e então Se entrega livremente a mim através de Jesus Cristo (Romanos 5.5; João 14.21).

A essência da vida eterna não se encontra em ter meus pecados perdoados, ou ter uma mansão no céu, ou ter ruas de ouro onde andarei para sempre. Ao invés disso, a essência da vida eterna é conhecer intimamente a Deus e a Jesus Cristo, a quem Ele enviou (João 17.3). Todo o restante que Deus me dá no evangelho serve apenas para me levar a Ele, para que esse grande fim fosse alcançado. Cristo morreu para o perdão dos meus pecados para que eu pudesse ser trazido “para Deus” (1 Pedro 3.18). Cristo está preparando um lugar para mim nos céus para que Ele me receba para “Si mesmo” e me mantenha para sempre com Ele e onde Ele está (João 14). E sim, existe uma grande rua de ouro no céu, mas existe qualquer dúvida para onde essa rua nos leva? Inquestionavelmente, ela nos leva diretamente para o trono de Deus (Apocalipse 21.21; 22.1), assim como todas as dádivas que recebi no Evangelho.

Quando medito no Evangelho a cada dia que passa, inevitavelmente eu vejo meus pensamentos viajando das dádivas que recebi para o Grande Doador dessas dádivas; e quanto mais meus pensamentos são direcionados a Ele, mais eu experimento a essência da vida eterna. O “evangelho de Deus” é de Deus, vem através de Deus, e me leva a Deus (Romanos 11.36); e é nEle que minha alma encontra a verdadeira alegria e descanso.

Milton Vincent, A Gospel Primer (pp. 49-50)

Tradução “A nível de”

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ataques de Pânico

O texto abaixo é extraído de um website de referência para o Aconselhamento Bíblico: “Conexão Conselho Bíblico” – conselhobiblico.com. Não só recomendo o website como também sou assinante de seu conteúdo. Trata-se de uma excelente ferramenta para informar e desafiar a aplicação da Palavra de Deus em diversas áreas da vida. Lá você vai encontrar textos originais e também traduções de excelentes recursos dentro da área de aconselhamento. Confira o conteúdo sobre “ataques de pânico”, excelente artigo extraído do blog da Faith Baptist Church.
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Faith Baptist Church em Lafayette, Indiana, teve a oportunidade de sediar a conferência anual da National Association of Nouthetic Counselors (NANC) na semana passada. Rob Green resumiu alguns insights sobre os ataques de pânico, compartilhados por David Powlison em um workshop.

Insight n. 1:  A vulnerabilidade e a falta de controle são questões centrais no coração daqueles que vivenciam ataques de pânico.
Isso me ajudou a pensar nos ataques de pânico dentro da categoria de vulnerabilidade. Certamente é verdade que todos nós somos vulneráveis a muitas coisas.  Todavia, o pânico vem quando o nosso senso de vulnerabilidade intensifica-se. Nunca é suficiente encorajar alguém a simplesmente “juntar todas as suas forças” ou “minimizar o senso de vulnerabilidade”. No entanto, no processo de ajudar aqueles que vivenciam esses ataques debilitantes, queremos que eles entendam como seus ataques têm início a partir de um senso de vulnerabilidade e falta de controle.

Insight n. 2:  Aqueles que têm ataques de pânico necessitam de uma perspectiva mais ampla para processá-los.
É pouco provável que a razão por si só possa tirar alguém de um ataque de pânico. Em algum momento, porém, a pessoa precisa ter a habilidade de focar o quadro maior.  A realidade é que esta vida está cheia de ameaças reais e genuínas. É verdade que tais ameaças podem resultar em algum tipo de dor em nossa vida.  Todavia, a perspectiva mais ampla é que Deus nos disse “Não temam … porque estou com vocês”. Em outras palavras, Deus vem ao encontro das pessoas em seus medos e concede a elas a coragem para agir de maneira agradável a Ele em meio ao medo. Os salmistas mencionam frequentemente ameaças reais e genuínas à sua vida e segurança, mas encontram força e consolo em seu relacionamento com Deus.

Insight n. 3:  Aqueles que vivenciam ataques de pânico precisam ver esses ataques como informativos em lugar de devastadores.
Os ataques de pânico podem ser devastadores. A vida parece entrar em uma espiral fora de controle. A pessoa que está vivendo um ataque parece não ter meio de escape. Ela pode se sentir desesperada e completamente sozinha. Enquanto tais pensamentos persistem, o ataque continua a ser devastador.  Mas o que acontece quando a pessoa aprende a ver o ataque como informativo? E se a investida de um ataque for tida como a luz de alerta do painel de um automóvel?  O que pode acontecer se as pessoas começarem a ver o ataque como um sinal de que seus medos e vulnerabilidade estão encobrindo Deus do quadro?  É provável que se elas puderem processar estes momentos como uma oportunidade de correr para o Senhor, buscar o Seu auxílio e se agarrar às promessas divinas, então se darão conta de que Deus vem ao seu encontro no medo e na vulnerabilidade. A graça e o auxílio de Deus estão presentes e a pessoa pode escapar do caos. O senso de perigo pode não desaparecer, mas em meio a ele há uma confiança de que Deus está presente.

Enquanto eu ouvia Dr. Powlison, algo mais me tocou: eu posso me identificar com as pessoas que têm ataques de pânico. Inicialmente, fui à palestra porque eu queria aprender alguma coisa sobre um assunto no qual eu não tinha experiência pessoal.  No entanto, quando ele terminou de falar, eu já havia lembrado um momento “do tipo pânico” que vivenciei. Eu estava sendo submetido a um exame clínico e o equipamento usado deu-me a impressão de que eu estava prestes a ser confinado e depois esmagado. Comecei a segurar a respiração e meus músculos se enrijeceram. Quanto mais eu ficava tenso, mais eu me afundava em uma espiral de pensamentos de confinamento. Eu não tinha razão nenhuma para temer, pois o exame era completamente seguro. Naquele momento, porém, eu simplesmente não conseguia convencer-me disso. Na verdade, o exame precisou ser interrompido e o médico colocou-me num quarto para relaxar. Não foi relaxante. Naquela experiência, nada foi relaxante. No entanto, tive tempo para orar, pedir a ajuda de Deus em meio ao meu medo e pedir que Ele me fortalecesse para completar o procedimento. Em outras palavras, precisei de uma perspectiva maior. Isso é exatamente o que Deus me deu. Quando o exame recomeçou, senti o medo voltando, mas Deus veio ao meu encontro no medo e foi possível completar o procedimento.

Embora o meu ataque tenha sido mínimo perto dos ataques de pânico mais graves que outros vivenciam, ele foi um lembrete de que (1) eu posso me identificar com os aconselhados que lutam nessa área e (2) Deus vem de fato ao nosso encontro no medo e nos dá coragem para viver para Ele em meio a esses medos.
Algumas vezes, os “rótulos” podem intimidar. Eles parecem colocar a situação em uma categoria à parte, com a qual não podemos nos identificar. No entanto, como David Powlison mostrou, é possível nos identificarmos com as pessoas. Podemos guiá-las em amor e bondade, e com grande compaixão porque somos suscetíveis a coisas iguais ou semelhantes às que elas enfrentam. Quero encorajar você a buscar o Senhor, ampliar a sua perspectiva, ver o medo e os problemas da vida como uma oportunidade para identificar lutas, correr para o Senhor e viver de modo agradável a Cristo em meio às suas lutas.


Tradução de Conexão Conselho Bíblico

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“A nível de”

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Miolo

[série baseada em Provérbios 1-9]

Os capítulos 1 a 8 de Provérbios apresentam a sabedoria e a insensatez. Em passagens envolvendo suas conseqüências, o autor de Provérbios busca persuadir seus leitores a uma vida marcada pela sabedoria fundamentada no temor do Senhor. Em suma, fica claro que a sabedoria traz vida e a insensatez a morte. No entanto, você vai ter que decidir que rumo irá tomar. Será você um sábio? Será você um insensato? Onde começa a decisão por uma vida de sabedoria? Sem saber a resposta para essa última pergunta, muitos vivem uma vida insensata simplesmente por não desenvolver uma característica básica dos sábios: OUVIDOS ATENTOS.

O capítulo 9 é o desfecho da primeira grande parte do livro de Provérbios. A partir daqui, o livro é quase todo caracterizado por curtas comparações do que caracteriza os que ouviram o convite da sabedoria e os que ouviram o convite da insensatez. Você vai ter que decidir em que lado estará: sabedoria ou insensatez. Escute bem os convites:

O Convite da Sabedoria (Provérbios 9.1-6)

A sabedoria é personificada como mulher diligente. Ela construiu sua casa, preparou um banquete e enviou suas servas para convidar os simples. Sim, os simples. Para seu banquete, a sabedoria grita dos lugares mais altos para todos os simples! Seu grito: “Venham todos os inexperientes! Aos que não têm bom senso ela diz...” (Provérbios 9.4) A sabedoria sabe que os simples precisam de entendimento. É para os inexperientes que ela dirige seu convite: “Deixem a insensatez, e vocês terão vida, andem pelo caminho do entendimento.” (Provérbios 9.6) O convite da sabedoria é para que os inexperientes internalizem seus princípios para alcançar vida sábia. Em seu conselho, existe exortação e correção. Deixe o caminho da insensatez para ingressar no caminho da sabedoria.

O Convite da Insensatez (Provérbios 9.13-18)

A insensatez é personificada como mulher preguiçosa. Ela seduz com ignorância. Fica na porta de sua casa clamando aos que passam perto. Para compartilhar o “lanche” da loucura, a insensatez grita alto para os simples e inexperientes. Sim, para os simples e inexperientes. Seu berro: “Venham todos os inexperientes! Aos que não têm bom senso ela diz...” (Provérbios 9.16) Seu berro seduz os inexperientes para provar do pecado, onde o mal é chamado de bem. Portanto, água roubada é doce e pão escondido é saboroso. A insensatez engana e seduz, mas o que ela não revela é o destino dos que entraram na sua porta: “mas eles nem imaginam que ali estão os espíritos dos mortos, que os seus convidados estão nas profundezas da sepultura.” (Provérbios 9.18).

O Miolo da Sabedoria (Provérbios 9.7-12)

A estrutura de Provérbios 9 é criada para enfatizar uma distinção importante. Os convites são descritos nos dois extremos do capítulo (vv. 1-6 e vv. 13-18). Porém, o miolo de Provérbios 9 traz uma descrição importante e relevante. Note que os versículos 6 e 16 são idênticos. Ambos apelam para os inexperientes e os que não têm entendimento. Não existe outro tipo de público. A verdade é que todos nós somos inexperientes e sem entendimento. Então, onde está a diferença? Bom, alguns sabem disso outros não. Os que sabem são na verdade sábios, e os que não sabem são tolos. O sábio não é aquele que sabe tudo ou alguma coisa, mas aquele que descobriu que não sabe coisa alguma. Esse é o tema principal do miolo de Provérbios 9. Note:

Quem corrige o zombador traz sobre si o insulto; quem repreende o ímpio mancha o próprio nome. Não repreenda o zombador, caso contrário ele o odiará” (Provérbios 9.7, 8a) Corrigir o zombador não é somente tarefa impossível, mas é também prejuízo para quem exorta. O zombador tem seus OUVIDOS FECHADOS e seu entendimento cego para a verdadeira sabedoria. Ele é inexperiente e sem entendimento, por isso, não ouve e não quer ouvir.

repreenda o sábio, e ele o amará. Instrua o homem sábio, e ele será ainda mais sábio; ensine o homem justo,  e ele aumentará o seu saber.” (Provérbios 9.8b, 9) Por outro lado, o sábio tem seus OUVIDOS ATENTOS para a sabedoria. Ele reconhece que nada sabe e procura ouvir a sabedoria. Ele não somente escuta, mas ele de fato ouve. Isso é traduzido em um andar sábio, onde as palavras ouvidas são traduzidas em ação. O sábio não é somente ouvinte, mas diligente praticante da sabedoria. Não se engane, saber a Verdade não tem valor algum se você não vive a Verdade.

O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é entendimento.” (Provérbios 9.10) E o coração da sabedoria é repetido no centro do miolo. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Andar no mundo de Deus de acordo com as ordens de Deus é um viver sábio. Isso é alcançado quando você entende quem é diante de quem Deus é. Ele é o SENHOR do Universo, Criador de todas as coisas. E você? Simples e inexperiente, que precisa aprender de quem sabe mais (infinitamente mais).

“Pois por meu intermédio os seus dias serão multiplicados, e o tempo da sua vida se prolongará.” (Provérbios 9.11) Viver no temor do Senhor irá trazer benefícios reais e eternos. É tudo fruto da ordem de Deus.

Se você for sábio, o benefício será seu; se for zombador, sofrerá as conseqüências” (Provérbios 9.12) E depois que tudo é dito, estudado e lido, apenas VOCÊ irá colher as conseqüências de suas decisões. Não se engane, há benefícios de curto, médio e longo prazo numa vida de sabedoria. A insensatez promete apenas gratificação de curto prazo, mas as conseqüências são cruéis. Tema a Deus, submeta-se a Cristo Jesus, dono de toda a sabedoria; assim, você será sábio. Quem entende isso é de sábio miolo. E quem não vive isso é desmiolado.

“A nível de”

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Curriculum Vitae: Sra. Sabedoria

[série baseada em Provérbios 1-9]

Pare um pouco e pense: A sabedoria de Deus é confiável? Onde ela está? Suas palavras cumprem o que diz? O que dá crédito à sabedoria? O que a sabedoria fez, faz e irá fazer? Perguntas assim precisam de respostas. E nós temos a Resposta. Provérbios 8 responde cada uma dessas perguntas, mostrando como a sabedoria de Deus é confiável e cumpre o que diz. O curriculum vitae da sabedoria é impecável, só um tolo não a “contrataria.”

Informações para contato (8.1-3)

A sabedoria de Deus clama em alta voz. “Ela se encontra em lugares altos, nos cruzamentos, nas entradas das cidades e sempre clamando em alta voz.” A sabedoria não está escondida, mas está disponível a todos. Não é difícil de achar, pois ela já se revelou. Suas Palavras estão escritas e foram registradas para que você e eu tivéssemos vida.

Qualificações pessoais (8.4-21)

Fala competente (8.4-11)

A sabedoria dirige seu discurso aos que reconhecem a necessidade de ajuda. Ela diz o que é certo, não mente, para que os inexperientes tenham prudência, e os tolos bom senso. Nenhuma de suas palavras são distorcidas, todas igualmente justas. São palavras claras para os que crêem e retas para os que têm discernimento. Seu discurso é valioso e não existe nada que se compare a ela.

Habilidade em tranformar vidas (8.12-21)

A sabedoria anda junto com a prudência e tem o conhecimento necessário para transformar vidas. Com ela, você irá aprender a temer ao Senhor, odiar o orgulho, a auto-suficiência, mau comportamento e a linguagem perversa. Só ela tem o conselho sensato que capacita governos e autoridades. A sabedoria ama os que a amam e quem a procura, encontra. No caminho da retidão, ela faz prosperar os que a abraçam. Seu poder de transformação é inigualável. Não existe ninguém/nada melhor disponível.

Formação (8.22-31)

A sabedoria já estava na eternidade passada com o próprio Criador. Quando nada existia, ela já estava lá. De fato, ela arquitetou o mundo que hoje conhecemos. Tudo aquilo que homens tentaram (e ainda tentam) entender durante a História da Humanidade foi arquitetado e criado pela Sra. Sabedoria. O que nos é mistério foi arquitetado por suas mãos. O que nos deslumbra é fruto de sua criatividade. O que nos assusta está no seu controle.

Realizações (8.32-36)

Os que guardaram suas palavras foram (e são) felizes. Verdadeiramente bem-aventurados. Aqueles que encontraram a sabedoria, encontraram a Deus. Aqueles que encontraram a Deus, encontraram a sabedoria. Seus feitos ecoam por toda a História, guiando homens à vida. Aqueles que não a seguem, correm rumo à destruição e morte.

Dois mil anos atrás, a sabedoria veio encarnada no homem-Deus, Jesus. Sua mensagem é proclamada por séculos, trazendo homens e mulheres ao conhecimento da salvação. A mensagem da verdadeira sabedoria em Cristo salva de uma vida torta para uma vida reta.

“...sejam fortalecidos em seu coração, estejam unidos em amor e alcancem toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de conhecerem plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.” (Colossenses 1.2-3)

A sabedoria está disponível em Cristo Jesus.

“A nível de”

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Um Estudo DO Caso

[série baseada em Provérbios 1-9]

Quem nunca ouviu a história do marido seduzido pela “outra”? Ou então, do meia-idade seduzido pela jovem? Ou ainda da esposa seduzida pelo “outro”? Etc... Gente que parecia com a cabeça no lugar mas que foi levado pela influência do “outro” ou da “outra”! Gente que caiu num caso, aventura e adultério, e nem sabe (sabemos?) o por quê. Provérbios 7 traz um estudo sobre esse “caso”. Esse capítulo disseca o engano do pecado sexual, mostrando como a sabedoria de Deus pode mantê-lo(a) longe dos passos que leva ao caminho da destruição. O capítulo segue o seguinte padrão: palavras de exortação, exemplo (um estudo DE caso), e mais palavras de exortação.

As Exortações de Provérbios 7.1-5 (NVI):

v.1 “Meu filho, obedeça às minhas palavras e no íntimo guarde os meus mandamentos. V. 2 Obedeça aos meus mandamentos, e você terá vida; guarde os meus ensinos como a pupila dos seus olhos. V. 3 “Amarre-os aos dedos; escreva-os na tábua do seu coração.” V. 4 “Diga à sabedoria: ‘Você é minha irmã’, e chame ao entendimento seu parente; V. 5 “eles o manterão afastado da mulher imoral, da mulher leviana e suas palavras sedutoras.”

Não existe exagero para enfatizar a importância de ouvir à instrução do pai no capítulo 7. Instrução que não se limita aos bons conselhos de um pai ao seu filho, mas trata-se da Palavra de Deus, a Bíblia, conselhos de Deus para Seus filhos. Os verbos usados indicam ações que fazem parte de um estilo de vida. Alguém que vive na Palavra, conhecendo de Deus, obedecendo Seus mandamentos, guardando-os como o tesouro mais importante e precioso. “Aventuras sexuais” (adultério) não são problemas meramente agudos e casuais. São problemas estruturais de uma vida que não conhece, obedece e guarda a Palavra de Deus como o tesouro mais importante da vida. Parte do engano é acreditar que o pecado sexual é desassociado da postura do adúltero com relação à Palavra de Deus. Alguém uma vez disse sabiamente, “a Bíblia irá mantê-lo longe do pecado ou o pecado irá mantê-lo longe da Bíblia.” Não se engane, a queda sexual é resultado de uma vida desassociada da Palavra em algum aspecto. O versículo 5 esclarece esse princípio ao mostrar que são os mandamentos de Deus que irão mantê-lo longe do caminho da mulher adúltera. Em suma, a Verdade de Deus desmascara a mentira do pecado.

Um estudo DE Caso – Provérbios 7.6-23:

Os versículos 6 a 23 trazem um estudo de caso da imoralidade. Salomão escreve como um observador dos caminhos do desavisado até a rede da mulher adúltera. O relato mostra o que caracteriza o imoral e a imoralidade, alertando os leitores ao pecado e exortando-os a uma postura de sábia dependência na Palavra.

a)      O imoral é ingênuo (vv. 6-9)

A descrição do imoral não é seu desejo sexual exagerado, mas alguém que não tem juízo. A questão não é seu nível hormonal ou falta de pudor, mas de discernimento. O imoral é ingênuo e não avalia circunstâncias ou pessoas. É guiado por seus sentimentos e não pela Verdade. Portanto, ele anda no lugar errado (próximo à esquina de certa mulher), na hora errada (era crepúsculo, o entardecer do dia, chegavam as sombras da noite, crescia a escuridão) e em direção à companhia errada (à casa dela).

b)      O(a) adúltero(a) é astuto(a) (vv. 19-21)

O adúltero (sedutor) é astuto e sabe tirar proveito da ingenuidade do imoral (seduzido). Seu caráter falta integridade. Ele é astuto no coração (vv. 10-11) e sabe identificar uma presa fácil. Suas ações são deliberadamente perversas (vv. 13-21). Usa a religião para justificar suas atitudes e chama de bem o mal (v. 14). Aliás, usa todos os recursos possíveis para seduzir o imoral: bajulação (vv. 15-18) e falsas promessas (vv. 19-20).

c)       O imoral é tolo como um boi a caminho do matadouro (vv. 22-23)

O resultado do engano é que o seduzido segue o caminho que leva à morte, destruição. Ele segue como um boi vai ao matadouro, sem saber o que lhe aguarda. Desconhece a sabedoria e por isso acha que seu caminho é inevitável. Hoje, chamam isso de destino, busca por felicidade, etc... a Palavra de Deus chama isso de caminho de morte!

d)      O(a) adúltero(a) é cruel (vv. 22-23)

O adúltero é cruel. Quando sua presa está no matadouro, irá executá-lo com a lança da chantagem, com a espada do divórcio, com o machado da pensão alimentícia, etc. Sem dó, nem piedade. Você que é sábio, escute...

Mais exortações em Provérbios 7.24-30 (NVI):

NÃO DEIXE SEU CORAÇÃO BRINCAR COM OS LIMITES DO PECADO. Pergunta dos tolos: quão longe eu posso ir sem pecar? Pergunta dos sábios: quão longe eu posso ficar do pecado?

“A nível de”

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O que a novela não conta

[série baseada em Provérbios 1-9]

Telenovelas são um grande sucesso no Brasil (e até onde sei, no mundo). São histórias cheias de “ti-ti-ti” que para muitos, “vale a pena ver de novo.” Porém, elas são repletas de engano e meia-verdades. Enfatizam a busca de uma felicidade passageira e oca. Gente desavisada busca sua “alma gêmea” com a única motivação de ser igual ao ídolo da telinha, futilmente feliz. Aos poucos, têm sua cabeça formatada por gente sem compromisso com Deus e Sua Palavra. Esquecem que por trás de cada “passione” do coração humano tem uma “malhação” de conseqüências. Essa história não é nova e muito menos restrito ao “Araguaia.” Provérbios 6.20-35 nos exorta contra as conseqüências de viver uma vida de gratificação imediata, que é a doutrina das telenovelas. Não se engane, o pecado sempre cobra a conta!

Preste atenção a quem você vai dar ouvidos! Provérbios 6.20-21 chama a atenção! A Palavra de Deus diz: “Obedeça... não abandone... a instrução!” E a telenovela: “Seja feliz... siga seu coração... nem que você tenha que passar por cima da instrução!” E agora? Quem você vai ouvir? Ligar a telenovela e beber de sua doutrina irá minar seu coração contra a verdadeira sabedoria. Não se engane, cada capítulo da telenovela é um sermão de gratificação imediata no culto dos tolos.

Existem bênçãos para os que vivem na Palavra! Provérbios 6.22-23 nos conta dos benefícios de ouvir a instrução da Palavra e de construir uma visão bíblica do mundo. “As advertências da disciplina são o caminho que conduz à vida” e que trazem proteção contra as ciladas vividas nas telenovelas. A proteção da Palavra instrui o sábio a fugir dos falsos elogios da mulher adúltera. Note que a descrição das tentações sexuais não estão relacionadas simplesmente ao visual. O pecado apela para o orgulho dos tolos com os instrumentos dos “falsos elogios” e dos “olhares” que enganam. O tolo cai no pecado sexual atraído pelas promessas da auto-exaltação. Por trás do “ti-ti-ti” de uma vida telenovelística, existe um coração que quer suas “passiones” satisfeitas. Tudo porque mais vale o “eu” exaltado do que Cristo glorificado!

Existem perigos para os que vivem a telenovela! Provérbios 6.24-29 alerta para as conseqüências de uma vida adúltera. Não se engane, assim como colocar fogo nas próprias vestes irá queimá-lo(a), quem se deita com mulher (homem) alheia(o) irá sofrer as conseqüências. Sofrimento esse que é minimazado pelo sermão das telenovelas e ignorado no culto dos tolos. Abra os olhos! Seja sábio e viva na Palavra de Deus. Aquele que comete adultério não tem juízo (Provérbios 6.32), sofrerá vergonha (Provérbios 6.33) e o ciúme do traído (Provérbios 6.34-35). Só que essa parte do pecado a novela não conta. Graças a Deus pela instrução de sua Palavra, que é luz e nos dá sabedoria!

“A nível de”

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O que Deus odeia

[série baseada em Provérbios 1-9]

Deus odeia? O Santo Deus com ódio? No mínimo, isso parece estranho. Deus e ódio parecem não combinar. Mas, a Palavra de Deus é clara em mostrar o ódio divino contra, por exemplo, a feitiçaria:
v. 9 “Quando entrarem na terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá, não procurem imitar as coisas repugnantes que as nações de lá praticam.” [...] v. 12 “O Senhor tem repugnância por quem pratica essas coisas [feitiçaria, etc], e é por causa dessas abominações que o Senhor, o seu Deus, vai expulsar aquelas nações da presença de vocês.” (Deuteronômio 18.9, 12)

Um pouco antes do povo de Israel entrar na terra prometida, Deus deixou claro para o Seu povo que as práticas idólatras eram abomináveis diante dEle. Eram contra a santidade de Deus, como resultado de corações que não o amavam exclusivamente. Porém, a feitiçaria não é a única prática abominável diante de Deus. O livro de Provérbios traz uma lista de condutas detestáveis a Deus. A linguagem é forte e evoca o mesmo ódio divino contra a feitiçaria. Não se engane, Deus odeia... Confira Provérbios 6.16-19:

v. 16 – “Há seis coisas que o SENHOR odeia, sete coisas que ele detesta:” – está aí. Deus odeia e detesta. A fórmula usada em Provérbios para introduzir essa lista de abominações é construída de tal forma a enfatizar o último elemento (veja também Provérbios 30.15, 18, 29). Deus odeia todas essas sete coisas, em especial a sétima da lista. Preste atenção naquilo que é detestável aos olhos de Deus. Creio que está na hora de rever o clichê que “Deus odeia o pecado e ama o pecador.” Sim, é verdade que “Deus amou ao mundo de tal maneira...” (cf. João 3.16). Porém, o ódio divino contra o pecado é manifestado sobre os que praticam o pecado. Por exemplo, Deus odeia feitiçaria e condena os que a praticam. Ele não pune o substantivo abstrato, mas o concreto e praticante. Deus odeia a lista a seguir e pune em justiça os que tais coisas praticam.

[a lista a seguir é extraída de Provérbios 6.17-19]

1)      olhos altivos” – Deus odeia o orgulho soberbo. “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes.” (Tg 4.6) O orgulho rouba a glória de Deus e busca a exaltação própria. Deus não divide Sua glória com ninguém (Isaías 42.8). Você que é o “rei da paçoca”, cuidado com o olhar altivo. Deus odeia o orgulho e pune o orgulhoso.

2)      língua mentirosa” – Deus odeia a mentira e pune o mentiroso. A verdade irá prevalecer e, de fato, a mentira tem perna curta (Provérbios 12.19). Ame a verdade, Cristo é a Verdade (João 14.6).

3)      mãos que derramam sangue inocente” – o rei Manassés é uma ilustração forte nesse ponto. “Manassés também derramou tanto sangue inocente que encheu Jerusalém de um extremo ao outro; além disso levou Judá a cometer pecado e fazer o que o Senhor reprova.” (2 Reis 21.16) Confira também 2 Reis 24.3-4. Esse rei liderou Israel a derramar sangue inocente, ele mesmo queimou seu próprio filho como sacrifício idólatra. Deus odeia aqueles que assim procedem. Deus odeia as mãos que derramam sangue inocente (Deus odeia o aborto).

4)      coração que traça planos perversos” – confira Provérbios 6.14 (e o post Bad Boy).

5)      pés que se apressam para fazer o mal” – são os pés daqueles que têm o mal no coração e estão prontos a executá-lo. Deus odeia isso.

6)      a testemunha falsa que espalha mentiras” – Deus odeia as testemunhas que distorcem os fatos em benefício próprio. Testemunhas de ficções e não de fatos são abomináveis a Deus.

7)      e aquele que provoca discórdia entre irmãos” – e aqui está a ênfase, o sétimo elemento. Deus odeia aqueles que semeiam a discórdia entre os irmãos. Deus odeia aqueles que trabalham para dividir e não para unir. E por que? A união entre os irmãos é agradável (Salmo 133.1) e a prova que somos discípulos de Cristo (João 13.35; 17.22-26). A discórdia ataca o testemunho mais precioso da existência e do poder de Deus, nossa união em Cristo Jesus. Por isso somos chamados a conservá-la (Efésios 4.3) e vivenciá-la (Filipenses 2.1-8). Deus odeia a discórdia e os que semeiam intrigas no meio do seu povo.

Cuidado. Deus é amor e provou Seu amor ao mandar Seu filho Jesus Cristo para a cruz. Porém, Ele também é santo. Deus pune em justiça e restaura em amor. Se você está na lista negra de Provérbios 6.17-19, arrependa-se dos seus pecados, não com lágrimas de crocodilo, mas com a tristeza segundo Deus – arrependimento genuíno. Seja uma bênção para unir em torno da verdade e não para dividir espalhando falsidade.
“A nível de”

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Bad Boy

[série baseada em Provérbios 1-9]

Ele gosta de uma briga. Quando abre a boca é para maltratar e oprimir. Ainda quando criança, suas práticas são chamadas de “bullying”, um problema assumido nas escolas de hoje e sempre presente nos colégios de então. Quando adulto, pode ser conhecido como um cara de sucesso e determinado, mas é oco por dentro e dono de um castelo de areia. Ele é o “bad boy”. Provérbios 6.12-15 descreve quem é esse sujeito, suas atividades e também seu destino. Por essa passagem somos alertados contra ele e exortados para não sermos tolos como ele. Observe:

v.12a – “O perverso não tem caráter [...]” O “bad boy” que descrevemos é chamado no livro de Provérbios de homem perverso. Ele não tem caráter e por isso é pior que a pessoa sem valor algum. O que torna a situação mais triste é que aos seus olhos, o “bad boy” é o cara! Ele é ignorante quanto ao seu pecado e quanto à real opinião das pessoas a seu respeito. Acha que é respeitado, mas na verdade é temido. Sem autoridade, mas cheio de autoritarismo. É triste...

V.12b – “[...]Anda de um lado para o outro dizendo coisas maldosas.” O “bad boy” exerce seu autoritarismo por meio de palavras. Constantemente, profere palavras maldosas por onde anda. O discurso é sempre no mesmo tom agressivo. Vence pelo oportunismo e nunca pela verdade. Ganha pela força e não pela liderança. Em outras passagens das Escrituras, ele é conhecido como o “homem de Belial” (2 Coríntios 6.15 e Deuteronômio 13.13-14). Homem perverso, que abusa seu poder – e posição – para prejudicar e até mesmo “matar” aqueles que adoram a Deus. E que poder é esse? PERSUASÃO. De toda forma e de todo jeito, suas palavras maldosas persuadem. Vezes pela aspereza, outras pela sutileza. Portanto, o “bad boy” pode não ser o mais forte fisicamente, mas é muito persuasivo. Pode ser pela força, ou pela palavra. Cuidado!

Vv. 13-14 – “pisca o olho, arrasta os pés e faz sinais com os dedos; tem no coração o propósito de enganar; planeja sempre o mal e semeia discórdia.” Sua piscada de olho e sinais com os pés e mãos revelam seu coração, cujo propósito é enganar. Está sempre planejando o mal contra o próximo semeando discórdia. O “bad boy” gosta do caos e sabe tirar benefício dele. Seu padrão é sempre o mesmo: perversidade no coração, maldade nos pensamentos, e semear discórdia – CORAÇÃO, PENSAMENTOS e AÇÕES.

V. 15 – “Por isso a desgraça se abaterá repentinamente sobre ele; de um golpe será destruído, irremediavelmente.” Mas ele terá um triste fim. Por causa de sua insensatez e pecado, a desgraça irá abatê-lo repentinamente. Será destruído irremediavelmente. Sua fama de poderoso irá se mostrar frágil diante das conseqüências que o aguardam.

“Bad boy”, não se engane! O teu pecado virá te buscar, e quando ele vier, não terá misericórdia. Arrependa-se hoje e faça o bem! Seja sábio, alicerçado em Cristo Jesus, que morreu e ressuscitou para dar-lhe um novo coração, para a glória de Deus.

“A nível de”

terça-feira, 16 de março de 2010

3 fatos sobre a preguiça

[série baseada em Provérbios 1-9]

Alguns dias atrás, vimos alguns mitos sobre a preguiça. “Eu não consigo mudar”; “Qual o problema? Não machuca ninguém”; ou ainda “Que mal que tem?” Tudo é blá-blá-blá contra as verdades divinas sobre o trabalho e a sabedoria. O preguiçoso transforma o prazer do descanso em seu deus. Vive para servir o sono e murmura quando seu “culto à preguiça” é ameaçado por qualquer idéia de trabalho produtivo. Esse é um sistema fundamentado em mentiras que precisam ser confrontadas com a verdade da Palavra de Deus.

FATO #1) Sim, você pode mudar. Quando a preguiça conquista a razão, volição (vontades) e afeição (emoções) do insensato, ele acredita que deixar a preguiça é impossível, o que de fato é um mito (lembra da história do leão?) Você pode mudar! A preguiça não é inevitável e você não precisa ser conhecido por isso. E mais, ser preguiçoso não é ser bacana. Se você conta vantagem de ser preguiçoso, se orgulha de dormir mais horas que trabalha, acha engraçado tirar onda de gente diligente, bom... popularmente você é um bacanão. Biblicamente, você é um tolo. Tão simples quanto isso, você tem que decidir qual opinião é mais importante. Ser bacanão aos olhos dos homens ou sábio aos olhos dAquele que um dia irá chamá-lo para prestar contas de tudo o que fez em vida (2 Co 5.10).

A mudança é possível, somos chamados para observarmos a formiga... refletirmos nos seus caminhos e... sermos sábios (Provérbios 6.6)!

FATO #2) É pecado. Qual o problema? Não machuca niguém...” Errado. Antes de mais nada, a preguiça é pecado contra o Deus santo que dizemos e cantamos que amamos. Se você é caracterizado pela preguiça, cabe a você a confissão e o arrependimento de coração. Quais as mentiras que acredita? Onde suas vontades estão desalinhadas com a vontade de Deus? Ama o que Deus ama, odeia o que Deus odeia? Suas emoções estão cativadas pelo amor ao sono ou ao seu Salvador que o comprou por seu sangue precioso? O preguiçoso irá colher os frutos de sua insensatez: uma vida cansada, sem desejos satisfeitos, onde tudo é difícil e virtualmente impossível.

Provérbios 15.19 – “O caminho do preguiçoso é cheio de espinhos, mas o caminho do justo é uma estrada plana.

Provérbios 21.25 – “O preguiçoso morre de tanto desejar e de nunca pôr as mãos no trabalho.”

FATO #3) É uma questão de sabedoria e a sabedoria é diligente. Ser preguiço ou não ser preguiçoso não é uma questão de personalidade, gosto ou popularidade, mas de caráter. O tolo é preguiçoso e o sábio é diligente. Pergunta: você teme a quem? Sua atitude com relação à preguiça te ajuda a responder essa pergunta.

Bom, acho que deu para entender que a preguiça é ruim, insensatez, tolice, etc. Espero que você cresça em soluções criativas para deixar esse mal tão comum quanto ruim. Espero que você cresça com um coração que deseja cada vez mais de Cristo, espelhando em sua atitude com relação ao trabalho o caráter do nosso Salvador.

Porém, reconheço que o outro extremo é igualmente perigoso. Existem aqueles que adoram o sono e também aqueles que fazem do seu trabalho o seu deus. Portanto, encerro o post de hoje com um texto de Eclesiastes para nos chamar à sabedoria de viver a diligência enquanto buscamos os valores eternos.

Eclesiastes 4.4-8:

v. 4 Descobri que todo trabalho e toda realização surgem da competição que existe entre as pessoas. Mas isso também é absurdo, é correr atrás do vento.

v. 5 O tolo cruza os braços e destrói a própria vida. V. 6 Melhor é ter um punhado com tranqüilidade do que dois punhados à custa de muito esforço e de correr atrás do vento. V. 7 Descobri ainda outra situação absurda debaixo do sol:

v. 8 Havia um homem totalmente solitário; não tinha filho nem irmão. Trabalhava sem parar! Contudo, os seus olhos não se satisfaziam com a sua riqueza. Ele sequer perguntava: “Para quem estou trabalhando tanto, e por que razão deixo de me divertir?” Isso também é absurdo. É um trabalho muito ingrato!

Em suma, TEMA A DEUS! Só o temor do Senhor irá conduzi-lo a uma vida de sabedoria, caracterizada pela diligência e pela busca dos valores eternos.

“A nível de”

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

8 de março. Hoje é o dia internacional da mulher. Para um bom texto sobre um pouco da história desse dia e reflexões bíblicas sobre a mulher, dê uma olhada nesse link: http://blogcoisanossa.wordpress.com/ e indique para a mulherada que você conhece.

Naná, Deus seja louvado por essa iniciativa e abençoe esse projeto para a edificação das mulheres do Reino.

Abração,

Sacha (“A nível de”)

sexta-feira, 5 de março de 2010

3 mitos sobre a preguiça

[série baseada em Provérbios 1-9]

Nossa série de Provérbios tocou num assunto comum, mas nem por isso menos importante: a preguiça. Em busca de uma compreensão um pouco mais profunda sobre a preguiça, iremos visitar alguns versículos de Provérbios que lidam com alguns mitos (e posteriormente, fatos) relacionados com esse mal.

MITO #1) Não consigo mudar. Nasci preguiçoso e vou morrer assim. Esse é um mito comum na luta contra a preguiça. Sabemos disso, mas ainda assim lutamos em trocar o travesseiro ou o controle remoto da televisão pelo trabalho produtivo. Esse é o primeiro mito sobre a preguiça: você não pode mudar.

A preguiça ataca o coração por completo, influenciando com mentiras os pensamentos, vontades e emoções. Por isso, é difícil largar o travesseiro e desligar a televisão. Acreditamos que o trabalho é resultado direto e exclusivo da maldição do pecado, nossa vontade está direcionada a fazer simplesmente o que nos dá mais prazer e nossas emoções são cativadas pelo abraço dos lençóis. Tudo isso mostra como nossos corações estão tomados por uma rede de mentiras inconsistentes com a vontade de Deus para o sábio e sua postura no trabalho. Pense nos versículos a seguir:

Provérbios 22.13: “O preguiçoso diz: “Há um leão lá fora!” “Serei morto na rua!” [É grave. O preguiçoso vive falando do leão que existe lá fora. Muito estranho, mas continue lendo a próxima passagem.]

Provérbios 26.13-16: “V. 13. O preguiçoso diz: “Lá está um leão no caminho, um leão feroz rugindo nas ruas!” V. 14. Como a porta gira em suas dobradiças, assim o preguiçoso se revira em sua cama. V. 15. O preguiçoso coloca a mão no prato, mas acha difícil demais levá-la de volta à boca. V. 16. O preguiçoso considera-se mais sábio do que sete homens que respondem com bom senso. [De novo, a história do leão na rua. Imagine a cena: o preguiçoso se revirando em sua cama com medo do leão que está lá fora, supostamente pronto para devorá-lo. Outra cena: o preguiço coloca a mão no prato para comer, mas é difícil demais levá-la à boca. O que as duas cenas tem em comum? O versículo 17 esclarece: o preguiçoso considera-se mais sábio que sete homens de bom senso. Ou seja, não existe leão lá fora e nem é difícil demais levar a mão até a boca para comer. O preguiçoso acredita em suas próprias mentiras para justificar sua atitude. O preguiçoso acredita que não consegue mudar, que é difícil demais trabalhar, que não vale a pena estudar, que o trabalho não acrescenta, etc. Entendeu o ponto? A preguiça é disfarçada por mentiras que atacam nosso coração por completo. Só a sabedoria de Deus é capaz de nos livrar de suas armadilhas. Se você ainda não pensou nas definições bíblicas para o trabalho e para a mordomia, isso seria um bom começo para deixar de acreditar nas mentiras e viver a VERDADE de Deus.]

MITO #2) Qual o problema? Desde que não machuque ninguém, a preguiça é problema meu. Tem muito preguiçoso que acha no mito #2 uma boa desculpa para se entregar às mentiras da preguiça. “Desde que não machuque ninguém, qual o problema?!” Bom, o problema é que o preguiçoso é um peso para a comunidade. Veja:

Provérbios 10.26: “Como o vinagre para os dentes e a fumaça para os olhos, assim é o preguiçoso para aqueles que o enviam.” [Você ainda acredita que não tem mal algum em ser preguiçoso desde que não incomode ninguém? A verdade é que a preguiça irá te destruir e será um peso para aqueles ao seu redor. Se o seu pastor, chefe ou qualquer autoridade sobre sua vida já começa a pensar duas vezes antes de confiar a você uma tarefa, saiba que isso não é um bom sinal. O preguiçoso é um peso para sua comunidade e incomoda! Portanto, pare de incomodar e se ocupe.]

MITO #3) Que mal que tem? Qual o problema de viver fazendo o que quero e quando quero? Quem vive assim irá ser destruído pela preguiça. Mesmo que o preguiçoso não faça nada, nada é suficiente para levá-lo à destruição. Nessa vida, ou fazemos algo que nos leva à disciplina para a piedade, ou para a impiedade. A preguiça é a disciplina da impiedade.

Provérbios 24.30-34: “V. 30. Passei pelo campo do preguiçoso, pela vinha do homem sem juízo; V. 31. havia espinheiros por toda parte, o chão estava coberto de ervas daninhas e o muro de pedra estava em ruínas. V. 32. Observei aquilo, e fiquei pensando, olhei e aprendi esta lição: V. 33. “Vou dormir um pouco”, você diz. “Vou cochilar um momento; vou cruzar os braços e descansar mais um pouco”, V. 34. mas a pobreza lhe virá como um assaltante, e a sua miséria como um homem armado.” [Que mal que tem? Parece que existe muito mal na preguiça. Ela vem para enganar e destruir os desavisados. A filosofia do “deixo para depois” pode tomar proporções tristes e trazer conseqüências repentinas. A vida perdida entre um botão do snooze e outro é uma das muitas tristes conseqüências da preguiça.]

Enquanto não identificamos os fatos sobre a preguiça, pense: qual dos mitos sobre a preguiça está dominando seu coração? Você pensa biblicamente, deseja a glória de Deus e cultiva emoções que correspondem à verdade divina? Espero que a sabedoria de Deus sature seu coração em uma vida marcada pela diligência.

No próximo post: 3 fatos sobre a preguiça.

“A nível de”

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Acorda, preguiçoso!

[série baseada em Provérbios 1-9]

6:30am toca o despertador. 6:31am você aperta o botão snooze*, que lhe dá mais 5 minutos de sono. 6:35am o depertador volta a tocar. Snooze. 6:45am o despertador insiste em tirá-lo(a) da cama. Agora é sério, último snooze. 7:00am, o botão snooze dá lugar para o off, o despertador é finalmente calado! 8:17am você acorda assustado, tinha que estar no trabalho as 8:00am. Mais um dia atrasado, mais uma vez vítima de sua própria tolice. O que está errado? Por que você anda tão cansado, cheio de dores, desanimado e com a estranha sensação de que nada é terminado em sua vida? Tudo parece “meia-boca” e difícil demais! Bom, talvez você se encontre preso numa das mais comuns manifestações da falta de sabedoria: a preguiça. Essa é a vilã por trás do sono exagerado. É a preguiça que alimenta o hábito constante da procrastinação onde o “depois” é a regra geral. Ela é responsável pelos desejos e sonhos nunca realizados, “dores” constantes e da alteração de humor que beira a depressão. Quando o cenário da preguiça toma conta da vida de alguém, não é difícil notar a ansiedade. Quando a preguiça é a regra, tudo é difícil, impossível, inatingível... Que triste! Mas espere, a Bíblia chama tudo isso de tolice. E se é tolice, há solução. A sabedoria da Palavra de Deus nos ensina a viver de forma diligente, deixando o estilo de vida improdutivo e sem rumo da preguiça. Para isso, vamos visitar um formigueiro... sim, um formigueiro! A pequena formiga foi escolhida por Deus para nos ensinar uma valiosa lição que pode transformar o rumo de sua vida - texto de Provérbios 6:6-11.

“V. 6 Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio!” [Somos chamados para refletir na vida da formiga. Observando a vida desse pequenino (e sábio) inseto, vamos tirar princípios para uma vida produtiva e sábia.]

“V. 7 Ela não tem nem chefe, nem supervisor, nem governante,” [Quando eu era criança, gostava de pisar em formigueiros.** Não era simplesmente pisar e deixar o pé no meio do alvoroço para ser picado. O lance era pisar rápido e observar o “caos” da comunidade. Sempre foi muito interessante observar a capacidade de reconstrução das formigas. Logo no dia seguinte, o formigueiro já estava quase todo reconstruído. Quando colocava gravetos ou canudos plásticos no meio do caos da minha pegada, esses objetos eram integrados como parte da nova arquitetura do formigueiro. Para as formigas, não havia tempo ruim. É interessante que durante todos esses anos de observação a formigueiros pisoteados, eu nunca vi formigas orientadas pela formiga gerente. Ou então, uma formiga capataz direcionando e chicoteando formigas súditas. Todas trabalhavam juntas e o “caos” que eu observava era traduzido em reconstrução no dia seguinte. Não era caos, era diligência. As formigas não tinham chefes, mas tinham iniciativa e trabalhavam em equipe. Só assim conseguiam manter a casa em ordem contra garotos que gostavam de pisar e inserir canudos em suas casas. Ao contrário da formiga, o preguiçoso não tem iniciativa. Se não existe um chefe, pressão ou até mesmo medo de perder o emprego, o preguiçoso não trabalha, não cria e não cresce. Triste. Mas o preguiço precisa aprender com a formiga que a sabedoria é diligente e tem INICIATIVA. Ela é capaz de visualizar o que precisa ser feito, planejar e executar. Lógico que alguns possuem dons e talentos diferentes, mas o que estamos falando aqui é da sabedoria ligada ao temor do Senhor. O sábio SEMPRE tem um chefe olhando e avaliando suas obras e motivações. O verdadeiro chefe do sábio é Deus. Para Ele trabalhamos e a Ele servimos. Cada minuto é valioso e um presente confiado a nós para gerirmos da melhor forma!]

“V. 8 e ainda assim armazena as suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento.” [Hoje, não vivemos mais debaixo da constante pressão de uma comunidade agrícola onde plantar e colher são atividades cruciais para manter nossa sobrevivência nas épocas onde nada cresce. A tecnologia atual nos permite comprar fora de estação e os supermercados estão abertos o ano todo. No entanto, o versículo aplica um princípio frequentemente esquecido, principalmente para o pessoal que vive nos trópicos, onde tudo nasce e cresce quase o ano todo. PLANEJAMENTO. A vida não é um barco levado por onde bate o vento. Lógico que Deus é soberano e tem planos que excedem nossa compreensão, mas isso não é desculpa para não colocarmos velas no barco e planejarmos a jornada! O preguiçoso é alguém que não planeja e usa todo e qualquer tipo de desculpa para não pensar no amanhã. As vezes, até encontra um versículo bíblico fora de contexto para não planejar. As formigas armazenam para a “incerteza certa” do futuro. Jovens, o planejamento para o futuro é crucial. O preparo hoje é recompensado amanhã numa vida diligente. Pais, planejar o treinamento de seus filhos no temor do Senhor hoje é o primeiro passo para vê-los nos caminhos do Senhor amanhã. Lógico, todos os planos estão debaixo da soberana vontade de Deus. Mas somos chamados a uma vida de sabedoria, não ao controle soberano do Universo. É Deus quem irá mostrar Seu plano na História. Nossa responsabilidade é de apenas viver uma vida de sabedoria.]

“V. 9 Até quando você vai ficar deitado, preguiçoso? Quando se levantará de seu sono? V. 10 Tirando uma soneca, cochilando um pouco, cruzando um pouco os braços para descansar,” [Até quando...? Bom, a pergunta já indica que o preguiço vive uma vida marcada pela preguiça. Existe um padrão de preguiça que precisa ser quebrado com a sabedoria que vem de Deus. Até quando o preguiço irá fazer do sono o seu deus? Até quando... até quando...? Quanto mais o preguiço descansa, mais ele deseja o descanso. O lazer legítimo se tornou uma preguiça consumidora! Existe uma desculpa para toda tarefa que existe esforço e planejamento! Cuidado, se essa é a sua situação, a preguiça te pegou!!!]

“V. 11 a sua pobreza o surpreenderá como um assaltante, e a sua necessidade lhe virá como um homem armado.” [Até quando, preguiçoso? Até o fruto da preguiça te pegar! Note bem, o resultado da preguiça não é uma pobreza repentina, mas a percepção repentina de que ela chegou. O preguiço não enxerga a armadilha que lentamente arma para si mesmo. Somente a sabedoria irá capacitá-lo a enxergar as conseqüências destruidoras da preguiça. Abra os olhos para a armadilha que a preguiça está armando para você: sonhos nunca realizados, fracasso e uma vida que não valeu a pena. Nunca é tarde para exercer a diligência e usar cada minuto que o Senhor lhe confiou para servi-lO da melhor forma!]

E você? Já acordou do cochilo? Pense nisso. Todos nós lutamos de uma forma ou outra com a preguiça. As vezes, somos diligentes em nosso trabalho, funcionários exemplares e destaques em todas as avaliações de produtividade da empresa. Mas e quanto ao seu convívio familiar? E na igreja? Você é diligente no serviço e intencional em influenciar pessoas a serem mais como Cristo? Onde a preguiça te pega? Não se engane, podemos criar inúmeras desculpas para não fazermos o que não gostamos – ou queremos! Preguiça!!!

No próximo post, iremos retomar esse tema com alguns versículos de Provérbios que mostram outras perspectivas desse mal chamado preguiça. A sabedoria de Deus nos capacita a uma vida de diligência! Enquanto isso, aprenda com a formiga!

“A nível de”

Notas de Rodapé:

*Snooze – alguns despertadores têm um botão chamado “snooze”. Esse botão aciona a função “soneca” do despertador, postergando o toque por mais 5 ou 10 minutos do horário originalmente programado.

** Eu parei de pisar em formigueiros.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O fiador e sua dor

[série baseada em Provérbios 1-9]

O capítulo 5 é uma extensa apresentação dos perigos do pecado de natureza sexual, assim como os versículos 6.20 a 7.27. Justamente no meio desses dois trechos, Salomão lida com os problemas de ser fiador, preguiça e perversidade de caráter. Provérbios 6.1-5 é o primeiro trecho dessa série de assuntos aparentemente isolados. O que acontece nesse sanduíche de idéias? Bom, quando pensamos na relação entre todos os assuntos, parece que a falta de disciplina surge como denominador comum entre todos os temas de Provérbios 5 a 7. O livro de Provérbios estimula uma vida sábia promovendo o temor do Senhor e também alertando sobre as conseqüências e perigos da falta de disciplina. As conseqüências da falta de disciplina são sobrepostas onde uma cadeia de implicações é criada. Um pecado leva ao outro.

“v. 1 Meu filho, se você serviu de fiador do seu próximo, se, com um aperto de mãos, empenhou-se por um estranho v. 2 e caiu na armadilha das palavras que você mesmo disse, está prisioneiro do que falou.” [Uma vez mais, “Meu filho”... PRESTE ATENÇÃO, uma nova série de exortações irá começar (confira 5. 1, 6. 20 e 7.1). O problema é lançado logo no início do trecho e é dirigido àqueles que se comprometeram como fiadores. Caíram na armadilha para serem responsáveis pela dívida de outra pessoa caso ela não tenha como honrar seus compromissos financeiros. O texto indica que o compromisso assumido com um aperto de mãos e palavras são suficientes no contexto da época para tornar o fiador prisioneiro de seu compromisso. Em outras palavras, “o contrato foi assinado.”]

“v. 3a Então, meu filho, uma vez que você caiu nas mãos do seu próximo,” [Note bem, “você caiu nas mãos do seu próximo”. Sua liberdade financeira já não lhe pertence mais, você se tornou escravo de seu compromisso. O ponto é: fuja de qualquer decisão financeira baseada na falsa compaixão por alguém, principalmente daqueles que você mal conhece. Lógico que a Bíblia incentiva a generosidade (cf. Dt 15.1-15), mas não às custas de sua “própria cama.” “Não seja como aqueles que, com um aperto de mãos, empenham-se com outros e se tornam fiadores de dívidas; se você não tem como pagá-las, por que correr o risco de perder até a cama em que dorme?” (Pv 22.26-27) Esses dois versículos nos ajudam a entender que ser fiador não é ajuda genuína a ninguém quando você não tem como honrar o compromisso assumido. Nessa situação, ser fiador não é generosidade, mas insensatez. Confira também Provérbios 11.5 e 17.18. Agora pense, por que alguém seria fiador de outra pessoa sabendo que não pode arcar com a dívida caso isso se torne necessário? As razões podem ser diversas, mas parece que todas apontam para a falta de disciplina em dizer “não” ao apelo dos homens, à vontade de ser aceito, de ganhar favores e tantas outras situações que refletem apenas a falta do temor do Senhor que nos livra de armadilhas assim.]

“v. 3b vá e humilhe-se; insista, incomode o seu próximo! v. 4 Não se entregue ao sono, não procure descansar. v. 5 Livre-se como a gazela se livra do caçador, como a ave do laço que a pode prender.” [Mas e se você já é fiador de alguém e tem certeza que não poderia honrar o compromisso financeiro caso as dívidas deixassem de ser pagas? Bom, faça de tudo o que for possível para sair desse compromisso. Humilhe-se. Se foi o orgulho e o temor dos homens que o colocaram nessa situação, faça da humildade e o temor do Senhor suas armas contra essa armadilha. Busque alternativas para sair desse compromisso, honrando a Deus acima de tudo. Ser fiador irá somar uma dor de cabeça desnecessária àqueles que querem viver uma vida que agrade a Deus em tudo. Não coloque esse peso sobre suas finanças e sua família. Seja sábio.]

“A nível de”

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

é possível dizer NÃO!

[série baseada em Provérbios 1-9]

A tentação é grande e mais uma vez você disse “SIM” ao pecado. Segundos depois, você é tomado por culpa, profunda tristeza por ter cedido outra vez e até esboça uma justificativa bíblica: “...não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.” (Romanos 7.17) O que o pastor pregou no último domingo sobre nossa vitória sobre pecado parece mais uma realidade distante que uma possibilidade real. Você está cansado e pronto para jogar a toalha na batalha contra o pecado.

Você já se sentiu assim? Infelizmente, essa é uma situação comum na vida de muitos cristãos que genuinamente buscam viver mais perto de Cristo. O que acontece? É possível dizer “NÃO” ao pecado? Será que a senhora da igreja pode dizer não à tentação de mais uma vez falar mal da irmã? É possível para o jovem dizer não a mais um clique no site pornográfico? Sua esposa mais uma vez queimou o almoço e frustrou suas expectativas, você pode reagir sem ira? O relógio anda mais devagar que nunca, você sabe que o cristão não deve ser caracterizado por preguiça, mas ir ao trabalho mais parece uma caminhada ao martírio que uma oportunidade de glorificar a Deus. É possível dizer não à preguiça? Ou ainda, aqueles que lutam contra a sedução do álcool, será que é possível dizer não ao próximo gole?

SIM, é possível dizer não ao pecado. Preste bastante atenção, a maior mentira na batalha contra o pecado é que você não poder dizer “NÃO”! Cristãos jogam a toalha porque acreditam na mentira do pecado. Seduzidos pelas promessas de prazer temporário, são presas da mais perigosa mentira na batalha contra o pecado: é impossível dizer não! MENTIRA! O pecado mente para você e diz que não há volta, a tentação parece invencível. Confira o que Provérbios 5.20-23 nos ensina:

“v. 20 Por que, meu filho, ser desencaminhado pela mulher imoral? Por que abraçar o seio de uma leviana?” [Ainda no contexto da tentação sexual fora do casamento, Provérbios pergunta por que pecar? A pergunta retórica nos aponta para a reflexão da insanidade por trás do pecado. Se a satisfação sexual dentro do casamento é uma fonte de água pura, por que abraçar o prazer do pecado no adultério? Não faz sentido! O pecado tem um poder de mentir, enganar e de nos fazer tolos! Loucura!!! O pecado é loucura. Pense em sua luta diária, seja ela qual for. Deus pode estar incomodando sua consciência com algo que precisa mudar, e por que não há mudança? Você realmente acredita que não pode dizer “não”!? Reflita no que você tem em Cristo enquanto termina de ler os últimos versículos de Provérbios 5. Não se engane, as bênçãos da sabedoria são infinitamente superiores que o prazer temporário do pecado.]

“v. 21 O SENHOR vê os caminhos do homem e examina todos os seus passos.” [Você ainda acredita que está sozinho quando peca? “Ninguém está vendo”? Já brincou de esconde-esconde com uma criança de dois anos. Em sua inocência, ela acha que o simples ato de fechar os próprios olhos é suficiente para ninguém achá-la. As vezes, agimos como crianças. Fechamos os olhos e pecamos. Agora sim, Deus e ninguém mais estão vendo. Bom, isso não é o que a Bíblia está dizendo. Deus vê todos os seus caminhos e examina todos os seus passos. Você pode se trancar no porão para pecar, Deus lá estará. Não tem como fugir, graças a Deus! Então, vemos mais um aspecto do princípio de Provérbios 1.7, “o temor do Senhor é o princípio do conhecimento...” Quando vivemos a presença constante de Deus, que examina todos os nossos passos, crescemos em sabedoria para dizer “não” ao pecado. Pare de se esconder de homens para pecar e lembre-se que Deus sempre está ao seu lado! Tema a Deus e não aos homens!]

“v. 22 As maldades do ímpio o prendem; ele se torna prisioneiro das cordas do seu pecado. v. 23 Certamente morrerá por falta de disciplina; andará cambaleando por causa da sua insensatez.” [Quando o tolo não abre seus olhos para a verdadeira sabedoria, ele cai em suas próprias tolices. Vive prisioneiro da sedução do pecado e tristemente acredita que não é possível dizer “não” ao pecado. Note bem o que versículo 23 diz, o tolo morrerá por falta de disciplina. Ele não morrerá por nenhuma outra razão se não a falta de disciplina. A causa de sua morte é a falta da qualidade moral de se controlar. O tolo acredita que dizer “não” ao pecado é impossível!]

Agora pense nas situações que você não está dizendo NÃO! De acordo com Provérbios 5.20-23, a desculpa “é mais forte que eu” não cola. É possível dizer não, crescer em sabedoria, temer ao Senhor e viver a vida em abundância que temos em Cristo, nosso Salvador!

Diga NÃO...

“A nível de”

a-nívelD Semana 12

Semana passada...

-O pecado cobra a conta: Provérbios 5.7-14 nos mostrou que o pecado cobra a conta. A tolice ignora que mais cedo ou mais tarde, as conseqüências do pecado irão bater na porta e cobrar a conta pelo prazer temporário. Pense nisso.

-Mas como eu apago o fogo? A Bíblia tem muito a dizer sobre o sexo e como devemos entender esse assunto biblicamente. O Criador de todas as coisas, inclusive do sexo, tem muito a dizer sobre nossos desejos sexuais e como devemos exercê-los em santidade! Para a glória de Deus.

Essa semana seguimos com nossos estudos baseados em Provérbios 1-9.

Até mais...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Mas como que eu apago o fogo?

[série baseada em Provérbios 1-9]

Dentro do estudo de Provérbios 5.1-14, as palavras de sabedoria nos exortou contra as palavras enganosas do pecado sexual e de suas conseqüências. Nesse trecho, somos alertados contra o “fogo” do pecado, especialmente contra o pecado de natureza sexual. Mas, o que fazemos com esse fogo? O que a Palavra de Deus diz sobre o fogo do(a) jovem solteiro(a)? Será que esse desejo é neutro? Ou ainda, será que o desejo sexual do(a) solteiro(a) é uma maldição? Talvez seu coração esteja gritando... “Ah... mas como eu apago o fogo?” Bom, vamos continuar estudando Provérbios. Espero que você encontre algumas respostas para essas perguntas. Seja você solteiro ou casado, a Palavra de Deus tem muita esperança para apagar o fogo do desejo sexual fora do contexto do casamento, parte dessa esperança encontramos no livro de Provérbios.

“v. 15 Beba das águas da sua cisterna, das águas que brotam do seu próprio poço.” [Que história é essa de água? Cisterna? Poço? Bom, Salomão não está falando em tomar uma ducha fria para apagar o fogo do pecado. O próprio contexto irá indicar que as águas da cisterna e do seu próprio poço fazem referência à mulher – ou cônjuge. Ao invés de buscar satisfação sexual fora do casamento, a Palavra de Deus incentiva o sexo dentro do contexto do casamento. Se você é casado(a), a Bíblia é clara que você deve buscar a satisfação sexual dentro do casamento. Agora, note bem, o cônjuge é uma fonte de prazer, não para ser usado como objeto de prazer. Existe uma diferença brutal entre os dois. A sabedoria nos chama a buscar maneiras de manter a cisterna e o poço puros. Aqueles que constroem casamentos sólidos também estão se prevenindo contra as tentações sexuais. Provérbios 5.15 aponta que a fonte de real prazer está na privacidade do casamento, e não na praça pública da mulher adúltera. Se você ainda tem dúvidas, leia Cantares de Salomão.]

“v. 16 Por que deixar que as suas fontes transbordem pelas ruas, e os teus ribeiros pelas praças? v. 17 Que elas sejam exclusivamente suas, nunca repartidas com estranhos.” [O versículo 16 introduz duas novas metáforas, “fontes” e “ribeiros”. Provavelmente, elas fazem referência ao próprio desejo sexual. Então, “Por que você vai deixar que seu desejo seja exercido fora do casamento?” A resposta é dada no versículo 17, “que seu desejo sexual seja apenas para seu cônjuge, nunca para estranhos.” Se você é casado(a), o seu desejo sexual é para a sua esposa (o seu marido). Se você é solteiro(a), seu desejo é para sua futura esposa (seu futuro marido). Não derrame a pureza de seu desejo em praça pública. A satisfação do desejo não é sua, mas pertence ao seu cônjuge. Por incrível que pareça, esses não são conceitos estranhos ao livro de Provérbios, confira Provérbios 2.16-19; 6.24-35; 7.5-27; 9.13-18; 22.14; 23.26-28; 27.13; 30.18-20 e 31.2-3. São passagens que exortam sobre a imoralidade sexual, ou que trazem instruções com relação às conseqüências do pecado sexual, ou ainda que incentivam a atitude correta sobre o sexo. E ainda, o Novo Testamento também apresenta conceitos bem semelhantes sobre o lugar do sexo dentro do matrimônio: 1 Coríntios 7.3-5; 1 Tessalonicenses 4.3-8; e Hebreus 13.4.]

“v. 18 Seja bendita a sua fonte! Alegre-se com a esposa da sua juventude. v. 19 Gazela amorosa, corça graciosa; que os seios de sua esposa sempre o fartem de prazer, e sempre o embriaguem os carinhos dela.” [Bendita seja a sua fonte! Em português claro, “show de bola”! O desejo sexual é uma bênção quando canalizado no tempo e contexto corretos. Infelizmente, pouca gente pensa dessa forma. Até o momento do casamento, o desejo sexual é visto como o grande vilão da pureza individual e da igreja. Depois do casamento, o desejo sexual é visto como tabu ou mito. Dizem que existe, mas ninguém fala a respeito. O resultado é que a filosofia do mundo acaba educando a igreja com relação a um assunto tão importante. Não precisa ser assim e não deve ser assim. Deixa eu dar um exemplo que pode nos ajudar a pensar sobre o desejo sexual de uma maneira diferente. Pense no seu apetite por comida... e na habilidade de sentir o gosto dos diversos alimentos. Hmmm... picanha, pizza, lasanha... e ______________ (você escolhe o que te dá água na boca). E você lembra da última vez que pegou uma gripe tão forte que não sentia o gosto dos alimentos? Tudo tinha gosto de nada e a únida diferença entre os alimentos era a consistência. Horrível! Bom, é no momento da gripe que entendemos a bênção do paladar. Ele estimula algo que é vital para nós: a alimentação. Na Sua infinita graça e sabedoria, Deus transformou algo vital em algo que nos dá prazer também. Porém, o pecado deturpa tudo isso. A gula é uma das conseqüências da deturpação do paladar, onde o único propósito da comida é o prazer desenfreado. Mais... mais... mais... não há limite. Bom, o desejo sexual é mais uma bênção divina que pode ser deturpada assim como o paladar. Ao invés de espelhar mais um aspecto da criatividade divina, de despertar o desejo pelo relacionamento puro com o sexo oposto, de servir ao cônjuge, de temperar com prazer o relacionamento matrimonial, etc... o desejo sexual é deturpado pelo pecado para ser uma busca egoísta pelo prazer que não enxerga o sexo oposto como imagem de Deus, mas apenas como um objeto para satisfação dita “hormonal”. Triste.]

Portanto, se você é casado(a), o sexo é parte de uma dinâmica criada por Deus que deve ser exercido dentro do casamento. Se você é solteiro(a), agradeça a Deus pelo desejo que Ele colocou no seu coração, ele não é uma maldição. Obviamente, o desejo sexual não pode ser exercido de forma pura quando você é solteiro(a). Porém, fogo se combate com fogo. Somos constantemente exortados na Palavra de Deus a cultivar um “fogo” por Cristo. Eu nunca ouvi que alguém que estava pegando fogo em amor a Deus tenha caído em pecado sexual. Portanto, tome cuidado com o fogo do desejo sexual, não coloque lenha nessa fogueira. Por outro lado, incendeie sua chama por Cristo! Nossa real satisfação está nEle. Não acredite na mentira que o sexo irá apagar um fogo que nunca foi satisfeito em Cristo! Pense nisso... Salmo 63 nos ensina que nossa alma é saciada em Deus. Não no sexo. Espero que esses conceitos comecem a criar em você um desejo mais ardente pelo Criador de todas as coisas e ajude-o(a) a parar de enxergar que o desejo sexual é uma explosão hormonal que precisa de alívio imediato. Somos imagem e semelhança de Deus!

“A nível de”

Obs.: Para uma leitura sobre masturbação (e seus impactos em decisões ministeriais), indico o texto postado no blog de um amigo e companheiro Pr. Tiago Abdalla. Confira aqui.